“Este é o seu mundo, eu só vivo nele!”
Um sonho é algo que parece estar em patamar acima, além da realidade. O que se define como sonho americano, tão propagado pelas mídias e imposto pelo mercado, não passa de uma personificação da mediocridade e da anulação do ser humano. E é isso que podemos perceber com a história de Harvey Pekar, ele não é um astro, ele não é especial, ele não é super em nada, mais ainda, não quer sê-lo. Quando nos apresenta sua trajetória de maneira honesta, clara, sincera, é um recado “esse sou eu e foda-se”. Uma concepção de um homem comum, que passa justamente a ser incomum, quando se assume à mentirosa e fragilizada vida moderna.
Uma dica que nos deu, nossa função não é consumir, não é perpetuar a espécie, não é ser uma peça no mecanismo, nossa função é não ser funcional. É um daqueles caras que se destacam pela simplicidade de ser ele mesmo.Harvey Pekar não necessita de biografia, tente você fazer um resumo de sua própria vida, sem romantizá-la, sem hiperbolizá-la, sem pretender ser especial; apenas sintetize a história de sua vida situando-se nesse grande quadro cotidiano, sem atribuir a si a autoria da tela, sem atribuir a si algum papel de destaque na composição, não, reconheça-se honestamente naquela figura cujo ínfimo tamanho não permitiu ao autor atribuir um rosto, ou qualquer outra característica de destaque. Pronto, feito isso, você conseguiu fazer a biografia da sua vida e a de milhões de pessoas ao redor do mundo, e entre elas a de Harvey Pekar.
O que faz o caso de Harvey Pekar ser particularmente notável (sem a conotação idolátrica do termo) é que ele conseguiu “praticar” o seu anonimato, ou seja, poderia ter se lançado ao “estrelato” da cultura “underground”, mas, com toda a autoridade de anônimo que não quer ver seu estilo de vida relacionado a campanhas publicitárias de bancos, margarinas, cartão de créditos etc. Preferiu dar conta de sua arte, viver a resistência de não ser.
“Este é o seu mundo, eu só vivo nele!”
ResponderExcluirFrase genial.