segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Resumo das percepções - Pi

“Quando se tenta ordenar o caos, mais caótica fica a ordem”. É possível entender o padrão que rege a complexidade do mundo? Para Max Cohen, gênio da matemática, há como descobrir um padrão numérico que se encontra em todas as coisas, uma sequencia lógica de números que se encontra no Pi. Para Max a matemática é o idioma da natureza. Conseguir as respostas para tudo, ou a resposta. é possível. Partindo disso já sabemos que o filme é loco.
 O cara vive isolado em seu pequeno apartamento. Antisocial, se afasta das pessoas e somente conversa com seu antigo professor. Patológico, sofre de distúrbios psíquicos, atormentado por uma ferida na cabeça, se esconde do sol. Por causa de seu conhecimento começa a ser perseguido por um grupo de Wall Street que deseja os padrões das cotações da Bolsa de valores, e também por seita judaica que acredita que alguns números poderiam fazer contato direto com deus. Toda essa gente começa a querer arrancar o que está dentro da cabeça de Max, literalmente...Como diz a personagem de Wall Street “esse mundo é dos fortes”.

Mesmo odiando matemática é difícil não curtir o filme. A batalha entre a ordem e caos, ocorre de forma dialética, na teoria do filme, assim como no que é passado,. Vertiginoso, ficamos nas batidas do eletrônico, tentando entender, como conseguir a fórmula da vida, o idioma da natureza, deus ou números de investimentos milionários.
Em certo momento do filme, o ex professor sugere a Max que viva mais, se divirta, leia Shakespeare, pegue umas garotas, pois “não haverá ordem somente o caos”. Será possível ordenar o caos da vida, como nos números?
O que podemos comentar afinal é que esse filme é uma piração, do começo ao fim.

Resumo das percepções - O silêncio do lago

Rex Hoffman viaja com a namorada, da Holanda para França, curtir as férias e passear de bicicleta. Durante a viagem param num posto de gasolina, Saskia vai comprar refrigerante e desaparece. Três anos depois Hoffman começa a receber cartas do sequestrador, que gradativamente se aproxima, revela sua identidade e mostra o que realmente aconteceu. É fácil perceber a sensação terrível que o filme transmite. O sofrimento de Hoffman, que inconformado busca a verdade. Eis a definição de suspense e angústia. Ficamos suspensos, e assim como o protagonista, desejamos um fim, que tudo acabe, mesmo se acabar conosco. Angustiados,queremos saber e quando sabemos, vem o arrependimento, o melhor é a escuridão.
Também surge aos olhos um vilão como nenhum outro (vilão é usado para facilitar a compreensão do texto, mas há bons vilões), bem sucedido, perspicaz, objetivo, que “vai contra o que está determinado”. Pai de família, que sabe que para ser bom, precisa experimentar o mau, mas aqui paramos, se não esculhamba a sensação de expectativa.
O medo de perder alguém vem à tona. A ligação com uma pessoa pode ser tanta, que não pensamos, se essa pessoa sumir?
Desse filme foi feita outra versão, americana, e como de costume deu bosta, um lixo indigno de Sessão da tarde. Não há comparações com o original, que é no minimo...original. O roteiro é baseado no livro The Golden Egg.

Resumo das percepções - Os Idiotas

Impossível comentar Os idiotas sem mencionar o famigerado Dogma 95, técnica de filmagem que se contrapõem aos atrativos das grandes produções hollywoodianas, ao evitar trilha sonora, efeitos especiais e orçamentos exorbitantes, privilegiando o enredo por um cinema “mais realista e menos comercial”, portanto é a cara do Contracine. Saindo da lógica de caras bonitas e cachês altíssimos, os filmes são produzidos a baixo custo e conservam uma estética própria, em momentos a não saber se estamos apreciando uma história fictícia ou documentário. Ruptura com o modo de produção cinematográfico que vende e lucra, de fácil consumo, resgatando ideais já pontuados nas antigas Nouvelle Vague francesa ou o neo realismo italiano...
Mas e Os idiotas...Um filme indigesto? Para a maioria das pessoas, sim! Alguns já com as retinas habituadas as explosões conservadoras dos Cinemarks da vida é apenas um filme “mal feito e com putaria”. Pois é, mas nossa visão se situa em outros pontos da indigestão. Um grupo de amigos se passa por idiotas, retardados mentais, fazendo intervenções com performances tão reais que as pessoas no entorno não percebem a farsa. Até mesmo entre eles resolvem assumir o idiota interior. E como um soco direto no estômago, revelam a farsa das convenções e instituições de uma sociedade consumista. O idiota assumido é aquele que não precisa mascarar suas deficiências em consumir ou se plantar frente a televisão. Ou partindo de outro ponto de vista, quem é o idiota em um mundo que o trabalho é cultuado e o ócio preterido.? Em uma cena o representante da prefeitura sugere a uma das pessoas do grupo que transfira os “retardados” para outra cidade, acreditando realmente se tratar de deficientes mentais. Outro momento do filme, o grupo é levado a uma excursão para uma fábrica, e lá aprendem a apertar botões, a serem produtivos. São faces do absurdo que conhecemos bem. Vemos a tentativa de suprimir aquele que não está ajustado ao mundo da normalidade, e também a tentativa de fazer render, padronizar, incluir na produção e no consumo aquele que virtualmente é considerado um inútil. Antes colocavam os tidos como inúteis (deficientes mentais, fisicos, crianças abandonadas, velhos, criminosos, loucos, moradores de rua) num barco, e deixavam a deriva, hoje temos vãs que transportam de uma cidade para outra, fazem terapia em grupo ou enclausuram esse pessoal em uma instituição de “recuperação”.
Dá o que fala, não é não? Resta assistir e discutir:
http://cynicozilla.blogspot.com/2009/08/os-idiotas-idioterne-1998.html

Quer conhecer outros filmes com o carimbo do Dogma?    
http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/09/festa-de-familia-1998.html Festa de família
http://trixxx.com.br/?p=7083 Mifune
http://trixxx.com.br/?p=7085 O rei está vivo

domingo, 22 de agosto de 2010

Resumo das percepções - Persepolis

            PERSEPOLIS conta a história de Marjane Satrapi, sua família e seu país, Irã. Aos oito anos acompanha os conflitos sociais e os problemas vividos por seus parentes que se colocam contra a ditadura do Xá. Apesar disso, continua a ser uma menina comum que gosta de Bruce Lee, Rock e sonha ser profetisa para mudar o mundo. Este é o ponto central do filme, a vida de uma pessoa comum afetada por um mundo incomum. Depois da queda da ditadura, é instaurado no país a República Islâmica que afetaria a liberdade da população. Obrigada a usar o véu e proibida de ter acesso à cultura ocidental, Marjane se revolta contra o mundo administrado, porém sua família a envia para Áustria, para não sofrer as consequências de sua rebeldia. Lá, estrangeira, se depara com o niilismo da juventude europeia sem causa. Distante de suas origens, se depara com situações em que terá uma escolha, ou negar sua cultura, virar as costas para suas raízes assumindo uma não-identidade, ou então afirmar seu lugar passado sabendo que no presente este lugar restringira sua liberdade de escolhas, de afirmações.
               Dentro deste mundo, não tão diferente do nosso, em que vivemos na ditadura do capital, Marjane assume a responsabilidade por ter posição, por querer a liberdade, mas será que um mundo administrado e frio conceberá uma pessoa livre e combativa? Sabemos que a opressão será continua, afetará os costumes, a tradição, as relações. Está realidade iraniana é diferente na forma, mas também no ocidente se vive sobre a opressão do dinheiro, trabalho, consumo e uma cultura cada vez mais artificial, um mundo onde a liberdade está entre mudar de canal, escolher a maneira em que você será oprimido.

Este filme é uma adaptação do livro em quadrinhos da própria Marjane.