PERSEPOLIS conta a história de Marjane Satrapi, sua família e seu país, Irã. Aos oito anos acompanha os conflitos sociais e os problemas vividos por seus parentes que se colocam contra a ditadura do Xá. Apesar disso, continua a ser uma menina comum que gosta de Bruce Lee, Rock e sonha ser profetisa para mudar o mundo. Este é o ponto central do filme, a vida de uma pessoa comum afetada por um mundo incomum. Depois da queda da ditadura, é instaurado no país a República Islâmica que afetaria a liberdade da população. Obrigada a usar o véu e proibida de ter acesso à cultura ocidental, Marjane se revolta contra o mundo administrado, porém sua família a envia para Áustria, para não sofrer as consequências de sua rebeldia. Lá, estrangeira, se depara com o niilismo da juventude europeia sem causa. Distante de suas origens, se depara com situações em que terá uma escolha, ou negar sua cultura, virar as costas para suas raízes assumindo uma não-identidade, ou então afirmar seu lugar passado sabendo que no presente este lugar restringira sua liberdade de escolhas, de afirmações.
Dentro deste mundo, não tão diferente do nosso, em que vivemos na ditadura do capital, Marjane assume a responsabilidade por ter posição, por querer a liberdade, mas será que um mundo administrado e frio conceberá uma pessoa livre e combativa? Sabemos que a opressão será continua, afetará os costumes, a tradição, as relações. Está realidade iraniana é diferente na forma, mas também no ocidente se vive sobre a opressão do dinheiro, trabalho, consumo e uma cultura cada vez mais artificial, um mundo onde a liberdade está entre mudar de canal, escolher a maneira em que você será oprimido.
Este filme é uma adaptação do livro em quadrinhos da própria Marjane.